quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

OS ORIXÁS NA UMBANDA






Para que possamos entender o Orixá em sua absoluta essência, é necessária uma enorme capacidade de abstração. O que diversos autores tem tentado valentemente explicar é algo absolutamente intangível ao nosso nível de consciência.

Orixá não é divindade, pois na Umbanda cremos num único Deus. A Umbanda não é politeísta, portanto o que passaremos a descrever não é uma teogonia. Orixá é potência de luz emanada de Deus, O Criador.

Ordinariamente entendemos a manifestação do Orixá, através das forças da natureza, é o máximo que conseguimos, pois em sua essência verdadeira é pura luz. E como entender isso? É como querer entender e explicar Deus, tarefa impossível a qualquer um de nós.

Entretanto, tendo em mente isso, podemos tentar entender juntos o caminho inverso, ou seja, da terra para o Alto, até porque para entendermos o que ocorre acima disso, precisaríamos entrar em esferas elevadíssimas que fogem ao nosso entendimento, pois ninguém tem alcance para isso. Tudo que falam são conjecturas, bravas e algumas até louváveis tentativas, mas nada absoluto. A verdade de cada um deve ser respeitada, assim como a compreensão. Avançar a esferas superior nos será naturalmente permitido quando tivermos evolução para tal.

Na realidade o que a Umbanda fez foi “organizar” as manifestações divinas, em uma linguagem que pudéssemos compreender. Todas as “complicações” provenientes do aprendizado na Umbanda são por nossa exclusiva culpa e ignorância, basta que conversemos com qualquer Preto Velho, para termos a certeza disto.

Pensemos a princípios nos Sete Orixás Básicos que se manifestam em nível de terreiro, ou seja, de incorporação: Oxoce, Ogum, Xangô, Omulu, Oxum, Iemanjá e Iansã.[1]

A manifestação, em nível de terreiro, de cada um se dá através de espíritos enviados de cada uma destas forças. Importante ressaltar que na Umbanda não incorporamos o Orixá, mas sim os seus enviados ou representantes, que são espíritos que já encarnaram e que tem cada um o seu próprio karma, história, característica missionária, evolutiva, de personalidade etc.

Temos a tendência de acreditar ou pensar que cada Orixá é o reino ao qual está associado, entretanto Orixá é muito mais do que isso, e é exatamente esse “muito mais do que isso” que não conseguimos explicar em palavras, mas grosseiramente falando é o amor de Deus espalhado e ao mesmo tempo condensado em 7 raios básicos, destinados ao planeta Terra, que objetivam, ao chegarem aqui, traduzidos pelos diversos sub-planos que passaram, nos auxiliar no nosso karma, e que se manifestam através das forças e reinos da natureza. O Orixá está na natureza, mas não é apenas a natureza. Enfim... É mais uma benção de Deus.

Quando pensamos na composição de uma árvore, por exemplo, e nos infiltramos nela, entramos no seu universo e podemos observar neste universo “árvore” que todos os 7 Orixás estão se manifestando, conjugadamente ou em paralelo, mas sempre harmoniosamente.

Cada Orixá tem função específica e até as que são antagônicas se harmonizam frente as nossas necessidades, por Graça do Criador.

Para uma melhor compreensão nesta que está parecendo uma viagem ao mundo dos Orixás, vamos primeiro falar sobre as funções e especialidades de cada um ao nível de terra.

O Orixá Oxoce corresponde a nossa necessidade de saúde, nutrição, expansão, energia vital, equilíbrio fisiológico.

O Orixá Ogum corresponde a nossa necessidade de energia, defesa, prontidão para ação, determinação, tenacidade.

O Orixá Xangô corresponde a nossa necessidade de discernimento, justiça, estudo, raciocínio concreto e metódico.

O Orixá Omulu corresponde a nossa necessidade de compreensão de karma, de regeneração, de evolução, transformações e transmutações kármicas.

A Orixá Oxum corresponde a nossa necessidade de equilíbrio emocional, concórdia, amor, complacência e reprodutiva.

A Orixá Iemanjá corresponde a nossa necessidade familiar, estrutural de amor fraternal e filial e bens materiais.

A Orixá Iansã corresponde a nossa necessidade de mudança, deslocamentos, transformações materiais, avanços tecnológicos e intelectivos.

Tudo isso estando equilibrado nos torna pessoas melhores e facilita a nossa passagem na Terra, por isso falei em benção de Deus, e também e manifestações básicas e harmônicas dos Orixás apesar de algumas manifestações serem antagônicas, mas no fundo complementares.

Os 7 Orixás básicos ao se combinarem formam outros Orixás os quais chamamos de desdobramentos do Orixá ou Orixás que foram combinados, mas mesmo assim ainda não são estes que se manifestam em nível de terreiro, mas sim os seus enviados (que falaremos mais tarde)

O único Orixá na Umbanda que não tem desdobramentos é a Orixá Iansã, pois as suas combinações são tão rápidas que não criam reinos, mas apenas manifestações rápidas desta conjugação, não chegando a formar ou fixar-se durante muito tempo a ponto de formar um novo Orixá. Além do mais, outro motivo para isto e o próprio elemento por Ela representado: o Ar. O Ar não se desdobra, não se fixa, mas mistura-se aos demais, entretanto sem mudar a sua essência. O Ar em movimento é o vento que causa mudanças rápidas e essas mudanças são a própria Orixá.

Quando os Orixás se combinam, se unem e se conjugam temos os diferentes desdobramentos que são manifestados através do encontro de um reino com outro, ou manifestações de força da natureza, que em terreiro também recebem nomes diferentes.

Algumas das diferentes combinações de Orixás

Grosso modo poderíamos falar em Orixás dinâmicos e estáticos, mas seria importante ressaltar que nada é estático na natureza, tudo está em constante mudança e transformação, mas que estabeleçamos agora que esse estático quer dizer mais lento e não totalmente parado. Cada Orixá tem, portanto, seu próprio ritmo. Talvez seja mais interessante falarmos em Orixás mais rápidos e de energias de ação, e Orixás mais lentos ou de energia equilibrante e refreadora.

Se pensarmos numa mata, por exemplo, o que os nossos olhos vêem é que ela está “parada” no lugar, mas para que seja exuberante e grande ela está em constante expansão, mudança, num ritmo lento e gradual, sofrendo a ação da fertilidade da terra, da constância dos ventos em espalhar as sementes, na ação do sol para a fotossíntese, enfim, de parada ela não tem nada. Mas seu “movimento” é provocado pela interação de outras forças.

Assim é a energia de Oxoce. Um trabalho constante de surgimento, expansão, crescimento e renovação. A vida se renovando através do trabalho em grupo conjugando infinitas forças.

Encontramos a energia do Orixá Ogum manifestando-se nas matas de Oxoce através do calor do sol, que dará força a energia vital de Oxoce no nascimento dos vegetais, na luta pela sobrevivência dos vegetais que se transformarão em grandes árvores formando a mata. A esta manifestação damos o nome de Ogum Rompe Mato, além dela se apresentar também em nível de terreiro como Caboclo Rompe Mato ou outro nome que estaria associado ao Orixá Ogum, ou seja, manifestações de luta e bravura, determinação e tenacidade, como por exemplo Caboclo Arranca Toco, etc.

Encontramos a energia do Orixá Omulu manifestando-se nas matas de Oxoce através da própria terra de onde irão brotar os vegetais, é a própria base da mata. Em nível de terreiro encontramos essa combinação representada através dos Caboclos Flecheiros e Bugres. Que são Caboclos mais voltados para trabalhos de descarga.

Encontramos a energia do Orixá Xangô manifestando-se nas matas de Oxoce através das pedreiras e que dão contornos e estabelecem limites na expansão da mata. Em nível de terreiro encontramos essa combinação representada através de Caboclos que se apresentam normalmente carregando em seu nome a palavra “Pedra” ou com características mais voltadas a equilíbrio, estudos, etc. Muitas vezes se apresentando tanto na hora em que invocamos Oxoce ou Xangô (dependendo da orientação da Casa).

Encontramos a energia da Orixá Oxum manifestando-se nas matas de Oxoce através da água fertilizadora da terra, auxiliando na expansão e ao mesmo tempo estabelecendo limites e contornos (rios e cascatas). Em nível de terreiro encontramos essa combinação representada através de Caboclos e Caboclas com apresentação mais “dócil”, “suave” e mais voltados para cura, manipulação de ervas, etc. Normalmente carregam em seu nome algo do tipo Caboclo “xxx” da Cachoeira, ou Caboclo “xxx” do Rio, etc. Muitas vezes se apresentando tanto na hora em que invocamos Oxoce ou Oxum (dependendo da orientação da Casa).

Encontramos a energia da Orixá Iemanjá manifestando-se nas matas de Oxoce próximas ao litoral, através da função provedora de bens materiais desta Iabá. Em nível de terreiro encontramos essa combinação representada pelos Caboclos e Caboclas do Mar da Praia, etc. Muitas vezes se apresentando tanto na hora em que invocamos Oxoce ou Iemanjá (dependendo da orientação da Casa). Também tem função de descarrego e imantação.

Encontramos a energia da Orixá Iansã manifestando-se nas matas de Oxoce através da ação dos ventos e da chuva e da função transformadora desta Iabá. São caboclos e caboclas que também tem como especialidade descarga rápida e transformadora.

Além, é claro, da conjugação de Oxoce com Ele mesmo, que encontramos os diversos Caboclos, como Tupinambá, Cobra Coral, etc.

Buscamos através desses exemplos mostrar a facilidade com que os Orixás se combinam, se conjugam e se harmonizam, sem perderem suas essências mas agregando outras, são todos Caboclos e Caboclas de Oxoce mas que adquiriram outras características vibratórias ao se combinarem e conjugarem com outros Orixás.

Em função de sua característica básica de expansão, o Orixá Oxoce foi associado ao planeta Júpiter, que rege a quinta-feira, e por extensão é o dia em que cultuamos Oxoce na Umbanda.[2]

Existem dois Orixás na Umbanda que não possuem reinos específicos, mas atuam em todos, que são Ogum e Iansã, através de suas energias e funções.

O Orixá Ogum representa ou se manifesta através da luta pela sobrevivência e por isso está associado a defesa de todos os reinos, além de estar diretamente associado ao início de tudo, ao novo, a conquista.

Ao encontrarmos a energia do Orixá Ogum, cujo elemento é o fogo, manifestando-se no reino do Orixá Omulu, que é a terra, o chão, o solo, através do calor o sol e traduzimos isso para a calunga pequena ou cemitério, que em termos ritualísticos de Umbanda é o reino de Omulu, temos a formação do desdobramento de Ogum que chamamos de Ogum Megê. Ou seja, é o Orixá Ogum atuando na defesa do reino do Orixá Omulu em combinação vibratória com o mesmo, formando este desdobramento de Ogum. É o Ogum magista, ou seja, conquista/defesa através da magia.

Quando o Orixá Ogum manifesta-se na defesa do reino de Xangô, encontramos o desdobramento chamado de Ogum de Lei, ou seja, combinação vibratória do Orixá Ogum com o Orixá Xangô. Em nível de necessidade nossa de terra (ou terreiro) é quando Ogum atua na execução de justiça. É o Ogum da ponderação, ou seja, conquista/defesa através da ponderação, da estratégia.

Ao cruzamento vibratório do Orixá Ogum com o Orixá Oxoce, conforme já falamos, damos o nome de Ogum Rompe Mato. É o Ogum do imediatismo, ou seja, conquista/defesa através da expansão.

Ao cruzamento vibratório do Orixá Ogum com a Orixá Oxum, ou seja, Ogum atuando na defesa dos rios e cascatas, damos o nome de Ogum Iara. É o Ogum da diplomacia, ou seja, conquista/defesa através da concórdia, diplomacia.

E finalmente o Orixá Ogum atuando na defesa do reino de Iemanjá, juntamente com a Orixá Iansã (ação sazonal dos ventos e tempestades causando a turbulência das ondas) damos o nome a esta manifestação de Ogum Beira-Mar. É o Ogum do inesperado, ou seja, conquista/defesa através de ações inesperadas.

Uma observação importante a se fazer é que cada vez que um Orixá se desdobra por combinar-se com outro, ele absorve algumas de características do Orixá com o qual se combinou, gerando e atendendo assim outras necessidades nossas.

Especificando:

Ogum Megê – este desdobramento de Ogum, gerado pela união dos elementos terra (Omulu) e fogo, está presente nos assuntos atinentes a desmanche de magia.

Ogum de Lei – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a execução de justiça.

Ogum Iara – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a conquistas diplomáticas.

Ogum Rompe Mato – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos pertinentes a coisas de solução rápida, revigorantes e de conquista de espaço de maneira geral.

Ogum Beira Mar – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a conquista material e de fortuna.

Estas são as manifestações mais comuns que se apresentam nos terreiros e são considerados chefes de linha, outras encontradas em nível de terreiro são consideradas desdobramentos destes desdobramentos.

Em função de sua característica básica de luta e guerra, o Orixá Ogum foi associado ao planeta Marte, que rege a terça-feira, e por extensão é o dia em que cultuamos Ogum na Umbanda.[3]

Ao pensarmos no Senhor da terra, o Orixá Omulu, o vemos como a base para o cumprimento de nossa missão na terra. Ele é a base de tudo. É na terra que transmutamos o nosso karma, por isso que sendo a nossa base, sempre nos lembra de nosso karma, e nos dá a compreensão do mesmo.

Ele não se combina com os outros Orixás, os outros Orixás é que se combinam com ele, gerando desdobramentos neles.

Os desdobramentos do Orixá Omulu se dão dentro dele mesmo, observando-se a natureza, vemos isso nos diferentes tipos de solo, que gerarão diferentes combinações de Orixás em função disto. Um dos desdobramentos mais conhecidos de Omulu é o Orixá Obaluaê.

Se nenhum outro Orixá existisse, o Orixá Omulu (terra) existiria e o tipo de vida que encontraríamos qual seria? Com isso quero dizer que nenhum Orixá é auto-suficiente e nem se basta, mas as suas combinações e dinamismo é que nos permitem conhecer a vida como a conhecemos.

É como um grande plano de Deus, que em sua generosidade infinita nos deu a base e as condições para que evoluíssemos e crescêssemos.

De nada adianta a base se não temos as condições e o inverso também é verdadeiro.

Por isso é tão importante que não “desprezemos” nenhum Orixá em nosso culto às forças da natureza.

Existe grande confusão com relação a magnitude deste Orixá onde alguns chegam a confundi-lo com Exu. Isto se deve a capacidade de manipulação magística e transformadora de Omulu, da qual Exu é apenas executor. Além do mais Omulu é Orixá e Exu não é.

Sendo a própria terra, onde caminhamos e nos sustentamos, e sendo a terra geradora permanente de vida, encontramos nela a primeira grande magia de Omulu, que é a famosa força da gravidade, que atrai tudo para si, assim como também, as diversas forças dos demais Orixás formando novas conjugações como as já citadas e que citarei ainda.

Por atrair tudo para si, e sugar as energias negativas transformando-as em positivas, transmutando e transformando tudo que nela toca e entra, este Orixá se desdobra dentro de si mesmo. É por isso que Ele não “vai” a outros Orixás, mas os outros é que vem a Ele.

Por tudo isso é que afirmo que confundir o Orixá Omulu com Exu é no mínimo incoerente, entretanto compreensível, pois para entender Sua Magnitude é preciso exercício mental, e isto poucos estão dispostos a fazer.

Sendo o Orixá que permanece no limite entre vida e morte, também foi associado a saúde e doença. Dentro de uma coerência e lógica, você acha realmente que Deus teria enviado um raio a terra cuja função fosse nos trazer doenças? A sua associação a saúde está justamente em função de ser da terra que brotam as ervas curadoras, mas estas são de Oxoce. Bênçãos de Omulu, sem dúvida, mas pertencem a Oxoce, este sim o Orixá da Cura, da Saúde.

Por outro lado a função de Omulu junto a área da saúde também se justifica pelo fato de ser ele o absorvedor e transformador de todas as energias negativas geradas e atraídas por qualquer doença em energia curadora, utilizada e manipulada por Oxoce.

Em função de sua característica básica de consciência kármica, tempo e lentidão, o Orixá Omulu foi associado ao planeta Saturno, que rege o sábado, e por extensão é o dia em que cultuamos Omulu na Umbanda.[4]

Ao continuarmos a análise das diversas combinações dos Orixás encontramos o Orixá Xangô atuando principalmente no equilíbrio das diversas forças. Xangô é o Orixá que está associado ao estudo, discernimento, e conseqüentemente a justiça. Observando a natureza vemos a pedreira entre a terra e o mar, impondo limites, pois a água salgada não germina a terra, mantendo portanto o equilíbrio ecológico. Encontramos também sua manifestação natural através do trovão.

Existem inúmeros desdobramentos de Xangô, mas não estão relacionados as combinações de outras forças mas ao equilíbrio das mesmas (poderíamos ousar afirmar que está seria a principal função deste Orixá em nível de natureza), assim temos:

· Xangô D’Jacutá – regência geral da linha de Xangô (grosso modo seria a própria pedreira, harmonia com Oxoce).

· Xangô Alafim-Eché – este desdobramento consiste na atuação junto a necessidade de fazer cessar as tempestades (atuando como energia refreadora, equilibradora) e auxiliar oradores intelectuais (inspirando método e orientação). Atuando com Iansã.

· Xangô Alufam – este desdobramento atua principalmente na função de encaminhar das almas desencarnadas, atuando juntamente com Omulu, na justiça e organização desta atividade.

· Xangô Agodô – este desdobramento atua principalmente presidindo as cerimônias de fé e de batismo. Grande auxiliar das intuições puras. Atuando com Oxum.

· Xangô Aganju – Protetor dos lares, da harmonia conjugal. Atuando com Iemanjá.

· Xangô Abomi – este desdobramento atua principalmente no equilíbrio de raciocínio e método e defesa nas horas de grande aflição. Atuando com em harmonia com Ogum.

Importante ressaltar que as definições ou descrições os diferentes desdobramentos de Xangô, assim como com os dos demais desdobramentos de cada Orixá, são apresentadas muito mais com objetivos didáticos do que litúrgicos, pois a essência de cada Orixá permanece sempre a mesma em todos os seus desdobramentos e momentos de atuação.

Em função de sua característica básica de estar ligado a parte intelectiva, o Orixá Xangô foi associado ao planeta Mercúrio, que rege a quarta-feira, por extensão é o dia em que cultuamos Xangô na Umbanda.

Ao analisarmos a Orixá Oxum, e nos reportarmos ao seu elemento (água) e a seu reino (cachoeiras e rios), encontramos os seguintes desdobramentos:

· Oxum Iara - ou simplesmente Oxum – essência da Oxum. Sentimento, amor, concórdia, harmonia, união.

· Oxum Marê – manifesta-se quando do encontro das águas de Oxum com as águas de Iemanjá. São as águas turbulentas. Em termos de significado e tradução para as nossas vidas, é o encontro do passado com o presente, de uma essência com a outra. Revisão de sentimentos (Oxum), turbulência de sentimentos (choque das duas águas), relacionados a nossa formação familiar (Iemanjá).

· Oxum Diapandá – manifesta-se na superfície das águas salgadas (onde a água é menos salgada). Absoluta harmonia com Iemanjá. Na sua compreensão de atuação junto a nós, é quando após a revolução de sentimentos (Oxum Marê), nos acomodamos na placidez das águas superficiais, sem grande envolvimento de sentimentos profundos, mas mais voltados aos sentimentos e aspirações materiais.

Considerada popularmente como sendo somente a Orixá do amor, entendemos como sendo a Orixá do misticismo, do sentimento, da concórdia e harmonia.

Em função de sua característica básica de estar ligada diretamente a sentimento, emoções e amor, a Orixá Oxum foi associada a Lua, que rege a segunda-feira, por extensão é o dia em que cultuamos Oxum na Umbanda.[5]

Muitos cultuam o Orixá Omulu na segunda-feira em função das Almas, mas lembramos que as águas da Oxum correm onde? Na terra. Que é de quem? Omulu. Com relação a isto, muitos já devem ter observado uma certa sensação melancólica, não chega a ser tristeza, mas uma “emoção”, muitas vezes indescritível, conjugada com a vibração de incorporação de Oxum. Algumas enviadas choram. Isto tudo se deve ao fato das águas correrem pela terra de Omulu, “carregando” com elas as Almas, das quais Omulu é o Mestre e Senhor, mas que em contato com Oxum, traduzem em nível de terreiro e incorporação, nesta “melancolia” que às vezes sentimos.

Por isso as Almas vibram em segunda vibração na segunda-feira dia de regência da Oxum.

Analisando a Orixá Iemanjá e nos reportando ao seu reino o mar, associamos sempre que quem mora perto do mar, nunca morre de fome, não é verdade? Por isso ela é a grande provedora dos bens materiais, a grande mãe, que nos dá o conforto, o alimento, além de ser representada pelo maior de todos os reinos, o mar. Soberania.

Em função de sua característica básica de estar ligada diretamente a família e ao amor familiar e fraterno, a Orixá Iemanjá foi associada a Vênus, que rege a sexta-feira, por extensão é o dia em que cultuamos Iemanjá na Umbanda.[6]

Por fim, analisando a Orixá Iansã, que como já dissemos não tem reino específico, reportemo-nos a seu elemento primeiro o ar. Presente em todos os reinos, conjugando-se a todos os Orixás, mas não estabelecendo nenhum desdobramento específico pois sempre que atua é em nível de mudança, transformação, como energia propulsora e renovadora. Em nível de terra esta Orixá está diretamente relacionada ao intelecto, tal como Xangô, mas de forma distinta, pois o Xangô é de energia refreadora, em termos práticos, coloca o método no pensamento ágil gerado pela Orixá Iansã. Conseqüentemente, esta Iabá está diretamente ligada aos avanços tecnológicos, e não apenas as mudanças climáticas.

Em função de sua característica básica de estar ligada diretamente ao intelecto, a Orixá Iansã foi associada ao planeta Mercúrio, que rege a quarta-feira, por extensão é o dia em que cultuamos Iansã na Umbanda.[7]

Assim podemos dizer que os Orixás, depois de atravessarem os diversos planos e sub-planos e chegarem até nós, nos apresentam infinitas formas de auxilio, através de suas combinações e desdobramentos. Poderíamos com isso, trazendo para linguagem de terra tentar resumir os “assuntos” a que cada um essencialmente atuaria e auxiliaria. Assim temos:

· Oxoce – saúde, energia vital, fisiologia, farmacologia, sociedade, trabalho em grupo.

· Ogum – defesa, energia propulsora, conquista.

· Xangô – equilíbrio, discernimento, justiça, estudo.

· Omulu – consciência de karma, transmutação kármica, magia,

· Oxum – equilíbrio emocional, amor, concórdia

· Iemanjá – união familiar, formação familiar, bens materiais

· Iansã – inteligência, avanços tecnológicos, mudanças, transformações materiais

Considerações sobre a Orixá Nanã

Consideramos Nanã a Soberana das Águas, as águas originais, o início da vida, a água de mina. Conseqüentemente estando "acima" das demais Orixás ligadas ao elemento água, não é Orixá Básico, conseqüentemente não é Regente de Ori. As manifestações encontradas em nível de terreiro, são manifestações de uma das três Iabás (Iemanjá, Oxum ou Iansã) em vibração mais “velha”.

Nanã é o momento inicial em que a água brota da terra ou da pedra, a partir do momento que a água corre, já é Oxum. Portanto não compreendemos como “lama” (mistura de água com terra) mas sim como Soberana de Todas as Águas.


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Dicionário desta parte: (Houaiss – Editora Objetiva)

Esotérico: Adj. 1. FIL diz-se do ensino que, em certas escolas da Grécia antiga, destinado a discípulos particularmente qualificados, completava e aprofundava a doutrina. 1.1 FIL m.q. ACROMÁTICO 2 p.ext. diz-se de todo ensinamento ministrado a círculo restrito e fechado de ouvintes 3. diz-se de ciência, doutrina ou prática fundamentada em conhecimentos de ordem sobrenatural. 4. fig. Compreensível apenas por poucos; hermético . ETIM gr. Mais íntimo, dentro. ANT. exotérico.

Esoterismo: s.m. 1. atitude doutrinária, pedagógica ou sectária segundo a qual certos conhecimentos (relacionados com a ciência, a filosofia e a religião) não podem ou não devem ser vulgarizados, mas comunicados a um pequeno número de iniciados. 2. ciência, doutrina ou prática baseada em fenômenos sobrenatuais. 3. fig. Caráter de uma obra hermética, enigmática. ETIM. Esotérico esoter + ismo.

Exotérico: Adj. 1. passível de ser ministrado ao grande público e não somente a um grupo seleto de alunos (diz-se de ensino). 2. diz-se de cada um dos escritos aristotélicos destinados ao grande público, em que forma de diálogos, dos quais só restaram fragmentos. 3. diz-se dos ensinamentos e doutrinas que, nas escolas da Antiguidade grega, eram transmitidos em público. 3.1 . p. ext. comum, vulgar, trivial. ETIM. Externo, que pertence ao lado de fora

Teogonia: 1. Nas religiões politeístas, narração do nascimento dos deuses e apresentação da sua genealogia. 2. (1874) conjunto de divindades cujo culto fundamenta a organização religiosa de um povo politeísta. ETIM gr. Theogonia, origem ou nealogia dos deuses.


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[1] Não incluímos Oxalá na relação de Orixás Básicos por considerá-lo acima dos demais Orixás e por considerá-lo a conjugação de todos os demais Orixás, energia primeira e original emanada de Zambi ou Olorum, O Criador de Todas as Coisas, portanto Oxalá não é Orixá Básico, conseqüentemente não é regente de Ori (coroa) de médium nenhum na Umbanda, todos somos Filhos de Oxalá. Além do mais estamos falando em manifestações em nível de terreiro, ou seja, em nível de incorporação e na Umbanda ninguém incorpora Oxalá. Alguns se referem a Ele como Orixá Maior.

[2] Farei a partir deste ponto a descrição básica dos planetas justificando assim a associação com os Orixás.

As palavras chaves para o planeta Júpiter são energia expansiva. É um enorme planeta que traz expansão. Tudo cresce com Júpiter. Tudo se engrandece. Tudo chega às máximas dimensões. Com Júpiter, a curva alcança seu ponto mais elevado, é o pico. (do livro Calendário Cósmico de Stellrius – editora Nova Era). Júpiter representa a necessidade de espiritualidade e de religiosidade. Além disso é a extensão e a expansão do instinto primitivo. É o crescimento de qualquer coisa, embora na sua função mais evoluída seja o crescimento do conhecimento e do entendimento. Júpiter simboliza o princípio da expansão na esfera de ação e de experiências na qual a pessoa vive. (do livro Conhecimento da Astrologia – Manual Completo de Anna Maria Costa Ribeiro)

[3] As palavras chaves para Marte são energia de ação. O “guerreiro” sai para enfrentar as tarefas da vida com valentia, coragem e decisão. A energia de Marte dá impulso. (do livro Calendário Cósmico de Stellrius – editora Nova Era). É a resposta ao estímulo. Sem Marte não sobrevivência. E, por isso, também é sexo. Mas como sexo, não pode agir sozinho. Precisa de Vênus. Um é iniciativa, outro é gostar; um é expressão ativa, outro é a experiência de mergulhar. É Marte que obriga as pessoas a competirem, eliminando o mais fraco: duas pessoas não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo. (do livro Conhecimento da Astrologia – Manual Completo de Anna Maria Costa Ribeiro)

[4] A palavra chave para o planeta Saturno é concretização. É o planeta dos anéis. Os anéis de Saturno delimitam, estabelecem fronteiras. As fronteiras nos avisam que há um tempo para tudo, nos atam a uma forma, nos contêm, não nos deixam sair. Ele nos trás o silêncio e a concentração. (do livro Calendário Cósmico de Stellrius – editora Nova Era). Saturno é a realidade, mas às vezes pensamos que a realidade é a verdade. Realidade é estrutura e limitação, e precisa-se de algo que defina a nossa situação, uma organização que nos dê apoio. Amadurecer e aceitar as responsabilidades, saber claramente quem somos e de que somos capazes, comprometer-se. Exige obediência e disciplina, podendo ser rígido e sem misericórdia. É o pai ditando ordens; a normalidade das pessoas e situações, ser estável. (do livro Conhecimento da Astrologia – Manual Completo de Anna Maria Costa Ribeiro)

[5] “As palavras chaves para a Lua são energia nutritiva. A característica destacável da lua é sua qualidade feminina, receptiva. A Lua representa o profundo, o silencioso, o noturno, o aquático.” (do livro Calendário Cósmico de Stellrius – editora Nova Era). Representa a matriz, a fonte, origem de todas as coisas, é um recipiente que dá forma e limite. É ter um local próprio para si, representa a maternidade, portanto o fundamento e a base da existência. Representa também a emoção, aquilo que está dentro de nós, estruturado, desde cedo. São os reflexos emocionais, os comportamentos automáticos e instantâneos. É o nosso inconsciente, que nos liga a tudo, a todos, a qualquer lugar sem separação: o modo de percepção. (do livro Conhecimento da Astrologia – Manual Completo de Anna Maria Costa Ribeiro)

[6] “Vênus é o planeta que produz o brilho intenso de seu radiante azul-prateado. A energia de Vênus é suave e cálida. Envolvente e magnética. Produz prazer. Tudo se cobre de brilhos refinados com a chegada de Vênus.” (do livro Calendário Cósmico de Stellrius – editora Nova Era). Vênus representa a necessidade de unir opostos, é a atração que une homem e mulher. Além disso, é a união entre as pessoas em geral. Vênus é a necessidade que as pessoas têm de se compromissarem e se completarem, estar junto. Daí pode desenvolver-se a união entre os dois para um relacionamento maiôs de grupo, para qualquer forma de vida com outra pessoa. É companhia, não é solidão. O relacionamento ocorre, então, como uma dependência mútua, ninguém pode viver completamente só. Vênus passa a ser a função de expressar afeto e amor. E a vontade de ser desejada e apreciada e para isso usar seus atributos de atração. (do livro Conhecimento da Astrologia – Manual Completo de Anna Maria Costa Ribeiro)

[7] Mercúrio – palavras chaves: Energia mental. A sua energia está associada à atividade mental. Mercúrio se move rápido, tão rápido como os pensamentos. (do livro Calendário Cósmico de Stellrius – editora Nova Era). Representa, no ser humano, o pensamento, reflexão, análise e troca de idéias. Se não houvesse Mercúrio, não haveria a mente racional e o homem seria puramente instintivo. É a capacidade de aprender e assimilar suas experiências e achar um meio de comunicá-las por em prática, e também de comunicar seus pensamentos. Tem a natureza dupla do pensamento interior e da comunicação exterior. (do livro Conhecimento da Astrologia – Manual Completo de Anna Maria Costa Ribeiro)

SENHOR ZÉ PELINTRA – UM HUMILDE FALANGEIRO DA LUZ






Falar de Zé Pelintra é dizer de aproximação e recuo, acertos e esquivas, transgressão e perigos. É render-se a eloqüência do não-dito, viajar pelas margens dos espaços suburbanos, encarar desafios. Curvar-se a regras implícitas, renunciar aos esclarecimentos, até mesmo desistir de apresentar estas notas de acordo com as normas acadêmicas. É deixar-se guiar pelos volteios do objeto da pesquisa para, com ele, aprender a ginga, a brincadeira, a duplicidade. (Monique Augras).

Um dia, conversando com o nosso amigo Marcos, este nos pediu que fizéssemos uma matéria versando sobre o “enigmático e incompreendido” Guia Espiritual Zé Pelintra. Na hora respondemos: putz – que fria hahahaha! Falar sobre o senhor Zé Pelintra pode alegrar uns e desagradar outros. Mas, fazer o que? Vamos nessa. Aqui, vamos colocar as versões existentes sobre o senhor Zé Pelintra, para que cada um possa refletir, analisar e aceitar aquela que tiver razão e bom senso, e não somente aquela que o seu “achismo” acha correta. Quando se trata de fenômeno espiritual, temos que utilizar a razão, para que não caiamos no ridículo de expor nossas tendências inferiores, a pecha de manifestação mediúnica verdadeira. Mas, vamos lá:

Primeiramente vamos elucidar o que seria essa tal “corrente de malandro” que esta se espalhando na Umbanda, advinda do Rio de Janeiro, onde está inserido o Senhor Zé Pelintra. Serão apresentadas algumas versões, a fim de que o leitor possa avaliá-las e de uma vez por todas, entender quem é e o trabalho magnífico efetuado por essa entidade espiritual maravilhosa.

Malandro – 1ª versão:

Para entendermos a confusão reinante dentro da Umbanda, sobre as várias manifestações mediúnicas estereotipadas de “malandro”, tendo como “malandro mór” o Senhor Zé Pelintra, temos primeiramente que entender o que seria arquétipo (grego arché, antigo – é o primeiro modelo de alguma coisa) no incosciente coletivo.

Carl G. Jung sugeriu que pode existir um inconsciente coletivo. Os mitos seriam como sonhos de uma sociedade inteira: o desejo coletivo de uma sociedade que nasceu do inconsciente coletivo. Os mesmos tipos de personagens parecem ocorrer nos sonhos tanto na escala pessoal quanto na coletiva. Esses personagens são arquétipos humanos. Os arquétipos são impressionantemente constantes através dos tempos nas mais variadas culturas, nos sonhos e nas personalidades dos indivíduos, assim como nos mitos do mundo inteiro. Dominar esses arquétipos dá um grande poder ao roteirista, são ferramentas úteis, como um baú cheio de truques.

De posse do entendimento sobre o que seria o inconsciente coletivo, vamos entender o porque do surgimento arraigado no Rio de Janeiro, da manifestação do Senhor José Pelintra como um “exemplo” de malandro ou malandragem.

Essa figura de malandragem como meio de subsistência, surgiu no Rio de Janeiro e para entendermos vamos ver o que nos diz Zeca Ligiero:

O malandro não pode ser dissociado da cultura carioca. Ao lado dos Orixás ioruba que chegaram ao panteão da macumba carioca trazidos pelos baianos, expressão de paisagem essencial, a rigor, sem representação antropomórfica, se ajuntam personagens históricos, sínteses de percursos coletivos, emblemáticos, personas com contornos humanos, roupas e adereços, como os Exus, Quilombolas quimbandeiros, revoltados e renegados contra o sistema e contra a passividade dos seus, provocadores e vingativos. Ou então: os malandros.

O terno branco do malandro. A dignidade do negro subestimado e subalterno. A elegância de valores da tradição africana adaptada a dúbia modernidade do bas-fond carioca. Estigmatizados ou quase herói, o malandro transgressor e individualista tanto reflete quanto funda um caminho coletivo, tornado santo pros seus e pros outros mito e referência. O malandro – de sapato, terno e chapéu – não se veste como branco, é o negro que mostra sua própria elegância, pois o malandro, tornado santo, não é apenas o que engana e o que se apropria do que é do outro para seu proveito e projeto pessoal, mas o que quer redefinir as regras de um jogo que lhe são injustificadamente desfavoráveis.

Se o malandro das encruzilhadas afro-ameríndias “não conseguiu estabelecer-se socialmente e impor a qualquer grupo uma ordem peculiar”, seu arquétipo e arsenal mítico certamente perduram no inconsciente do povo brasileiro, tanto em sua pulsão perversa – o oportunista, o predador – quanto em suas outras potencialidades, com sua postura de jogador e suas disposições e atributos de lutador refinado, de artista da vida, de animador cultural, de arrimo na crise e, assim, de protolíder comunitário.

Assim, poderemos agora entender, o porquê da ênfase e da aceitação de espíritos “malandros”, que no imaginário do povo, seriam nada mais nada menos que heróis populares, que com suas gingas e expedientes, conseguem transpassar os limites da sociedade cripto-escravocrática pondo-os frente a toda uma sociedade em processo de identificação, a quem dotariam de uma identidade paradoxal. A camada social mais carente busca novas referencias e novos mestres, justamente no momento quando se faz possibilidade de uma nova ordem social que atende ao clamor das ruas para além das evidentes limitações da “democracia brasileira”, e ressalta a evidente inspiração que traz o caminho do Zé Pilintra.

Conclusão: O inconsciente coletivo “malandro” está para a camada popular, como o herói, como aquele que vence as adversidades do dia-a-dia mesmo tendo qualquer tipo de adversidade própria de quem nada tem na vida. O “espírito de malandro” reflete arquetipicamente àquele que leva a vida numa boa.

Mas, temos que entender que isso é tão somente um arquétipo coletivo manifestado na psique humana, e é refletido nas manifestações mediúnicas a título de animismo misturado com uma efetiva e verdadeira incorporação mediúnica. Nesse momento, a psique do médium se põe na frente da manifestação mediúnica, havendo uma simbiose onde o que se reflete é tão somente um “teatro” muitas vezes necessário, pois tanto o médium como a assistência somente vai dar credito àquela manifestação, se conseguir visualizar o estereótipo, “fantasiado”, a fim de dar crédito, pois esta visualizando o que ali se manifesta.

Precisamos entender que segundo a psicologia analítica, ocorrem as manifestações “teatralizadas” nas incorporações na Umbanda. Somente vamos atentar para o fato de que essas “teatralizações” fazem parte das manifestações mediúnicas na Umbanda, obedecendo a um imperativo espiritual, pois junta-se o animismo com a realidade espiritual, fazendo com que os trabalhos mediúnicos umbandistas sejam acessíveis a todas as camadas sociais, bem como aceitas naturalmente, pois fazem parte do mental coletivo brasileiro.

Com o tempo, a figura do malandro tornou-se símbolo marcante da cultura carioca, que o tem como um meio de sobreviver num meio racista e difícil vivência.

Malandro – 2ª versão:

Vamos entender a questão da malandragem, pois esta acontecendo um fato que merece a nossa atenção: Alguns médiuns e mesmo sacerdotes umbandistas, estão “criando” uma linha de ação na Umbanda, denominada “corrente de malandros”. Mas, o que seria essa corrente? Espíritos de malandros????

Malandro: 1. Indivíduo dado a abusar da confiança dos outros, ou que não trabalha e vive de expedientes: velhaco, patife. 2. Indivíduo preguiçoso, madraço, mandrião. 3. Gatuno, ladrão. 4. Individuo esperto, vivo, astuto, matreiro. 5. Que é malandro. (Novo Dicionário Aurélio – 1ª edição – 9ª impressão – Editora Nova Fronteira).

Pela própria definição do dicionário, o malandro é sinônimo de um individuo que não presta; que não se confia; que rouba; que vive à custa dos outros; abusado, etc. Como podemos aceitar uma corrente espiritual formada por indivíduos assim? Como podemos entrar num Templo Religioso, dedicado à caridade, orações, orientações precisas calcadas no Evangelho Redentor, ou seja, reformar a vida dos que freqüentam esse Templo, aconselhando-se com um espírito de malandro? Analisem bem, e vejam a gravidade de certos médiuns incautos “inventarem” uma corrente espiritual povoada de espíritos embusteiros, ou mesmo abrirem a sua mediunidade para a manifestação de quiumbas que se aproveitam da ignorância espiritual e material de alguns médiuns para assim, poderem desqualificar uma corrente religiosa como a Umbanda. A coisa é grave.

Um espírito de luz com certeza, para nos dar um exemplo de vida, nos contaria suas peripécias negativas quando encarnados, mas tão somente para nos alertar do que não devemos fazer na vida. Jamais esse espírito de luz se compraz com alegria, sempre nos dizendo que foi mulherengo; que brigava e dava porrada pra todo lado; que chegou até a matar algum desafeto (e ainda por cima dizendo isso com satisfação, como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo); que era alcoólatra; que viva de enrolar os outros; que vivia na jogatina; que era feiticeiro e ai por fora. Se fosse um espírito de luz, sentiria vergonha de ter praticado tais atos. Se fosse um espírito de luz, faria de tudo para nos demover de tais atos. Se fosse um espírito de luz, nos convenceria a viver a vida calcada no Evangelho Redentor.

Agora, o que observamos, são espíritos levianos, beberrões, que só querem brincar, e não se preocupam com a nossa libertação interior, jamais nos incitando á reforma íntima.

Imaginem só, vocês médiuns, trabalhando num terreiro onde estão esses tais espíritos de “malandros” com toda sua gama de disparates, e ainda por cima levam seus filhos para participarem dessas giras. Vejam que coisa linda seus filhos estão aprendendo em sua religião:

·         Que ingerir bebidas alcoólicas abundantemente é normal, pois aprenderam vendo um “espírito” que eles respeitam como guia espiritual, fazendo isso. Com certeza quanto começaram a ingerir bebidas alcoólicas vão achar super normal, pois a espiritualidade também o faz..

·         Que fumar é normal, pois também observam os tais “espíritos” fumando desesperadamente.

·         Que falar palavrões é bonito, pois esses tais “espíritos” falam abundantemente e todos à volta acham lindo e até dão risadas.

·         Observam os tais “espíritos” se portarem de maneira indecorosa e com certeza vão repetir tais atos no seu cotidiano.

Isso é Espiritualidade? Isso é educação? Isso é um Guia Espiritual? Isso é Umbanda???

MAS AFINAL. QUEM É O SENHOR ZÉ PILINTRA?

Antes de mais nada, vamos entender uma coisa. Todo Guia Espiritual militante na religião de Umbanda, com certeza teve vida física na Terra. Assim, com certeza, também teve entreveios como todos nós temos, vivenciando uma vida cheia de ilusões, acertos e desacertos. Pode ser que um espírito quando encarando vivenciou uma vida cheia de engodos e erros, mas, com certeza, para depois da morte poder vir até nós, através da mediunidade redentora, teve erros que somente afetaram sua integridade física, moral e espiritual, mas não feriu mortalmente o espírito imortal de ninguém. Se algum ser vivente, viver uma vida de erros gravíssimos, com certeza, não poderia estar entre nós como um Guia Espiritual, antes de, através de anos a fio, se regenerar, para depois poder iniciar uma escalada evolutiva, a fim de se fazer presente na mediunidade, como um Guia a aconselhar, abençoar e ensinar preceitos espirituais superiores.

Por isso vamos encontrar varias entidades espirituais na Umbanda, relatando seus erros e acertos, quando encarnados, mas, não vamos generalizar. Com certeza, esses erros, como já dissemos anteriormente, foram erros que somente atingiram quem o realizou, ou seja, sem maiores danos, atendendo o que nos diz a máxima: ‘Fazei ao próximo, o que quereis que voz façam”

Vamos dar as várias versões sobre o senhor Zé Pilintra, que ainda, infelizmente é muito pouco compreendido em nosso meio.

Zé Pelintra – 1ª versão:

Observamos no decorrer dos anos, a manifestação desta Entidade de Luz, de maneira que nos leva a muitas duvidas. Ora vemos médiuns “incorporados” com o Exu Zé Pilintra; ora observamos manifestações de entidades dizendo ser o Sr Zé Pilintra, mas nos relatando ser um boêmio que nasceu no nordeste e migrou para o Rio de Janeiro, vivendo no meio de prostitutas e malandros, em jogatinas, bebericando seus aperitivos descontraidamente e morreu assassinado. Em outros ainda, diz ser um “digno” representante dos malandros do Brasil. Meu Deus. Será?

Para dirimir tais “equívocos”, fomos pesquisar sobre a origem desta Entidade de Luz, tão maravilhosa, e chegamos a tais revelações:

O Sr Zé Pilintra nasceu na cidade de Alhandra, município de Alagoas, divisa de Pernambuco. Alhandra é um dos berços do Catimbó, culto originado da fusão do Catolicismo, Bruxaria Européia e Pajelança.

Em conversações telefônicas com o delegado de polícia e também com alguns Catombizeiros residentes em Alhandra, colhemos que o Sr Zé Pilintra nasceu, viveu e morreu no Nordeste, e nunca se mudou para o sudeste. Viveu uma vida digna e prestativa para a comunidade, com seus conhecimentos no Catimbó.

Era procurado por muita gente de todas as regiões e morreu com 114 anos, encontrando-se enterrado em um sítio no município de Alhandra.

Vejam que foi uma alma caridosa, não era alcoólatra (podia até bebericar como todos nós fazemos) e nem vivia no meio de malandragem. Era um ser humano comum.

O que alguns médiuns incautos fizeram com a manifestação mediúnica de uma Entidade tão iluminada? Será que não abriram seu corpo mediúnico para a manifestação de quiumbas se fazendo passar pelo senhor Zé Pilintra? Ou será que são médiuns exteriorizando suas mentes conturbadas (arquétipo), utilizando o nome e a pretensa incorporação de uma entidade espiritual, para bebericar, jogar conversa fora, promover namoricos, numa alusão à malandragem existente em seus íntimos, pois dentro de um Templo religioso terão a “compreensão e a autorização” para agirem desta forma, não tendo medo de serem criticados.

Agora, uma coisa é certa: Muitos médiuns ao longo do tempo observaram a “incorporação” da entidade conhecida por Zé Pilintra em vários médiuns, e essas incorporações se davam (por vários motivos) de maneira estranha, e esses médiuns gravaram em seus inconscientes àquela maneira estereotipada de apresentação e quando estavam mediunizados por uma entidade apresentando-se por Zé Pilintra, este também se apresenta da forma arquétipica armazenada em seus inconscientes, portando-se de maneira errônea, não condizendo com a realidade espiritual, ferindo a fenomenologia mediúnica disciplinada. Isso é fato. Os médiuns deveriam se educar mediunicamente, deixando suas mentes de lado, para que as entidades espirituais apresentem-se com suas maneiras particulares de serem.

Também tivemos informações da existência no Rio de Janeiro, de um individuo chamado Zé Filintra, que era morador e freqüentador da malandragem nos morros cariocas, malandro, namorador, jogador, boêmio respeitado em sua época. Agora, se existiu mesmo imaginem só: Com a migração em massa de nordestinos para a então capital do Brasil (Guanabara), entre todos, também vieram uma grande quantidade de Catimbozeiros que trouxeram o culto ao senhor Zé Pilintra. De Zé Pilintra para Zé Filintra foi um pulo. Misturou-se tudo no imaginário arquetípico brasileiro, chegando até os dias atuais como vemos nas manifestações em terreiros.

Zé Pelintra – 2ª versão:

De acordo com Zeca Ligiero:

De acordo com as nossas pesquisas, Zé Pelintra tornou-se famoso primeiramente no Nordeste, fosse como freqüentador assíduo fosse já como uma das entidades dos Catimbós de Pernambuco, Paraíba, Alagoas ou Bahia. Conta-se que, ainda muito jovem, era um caboclo violento e que brigava por qualquer coisa, mesmo sem ter razão. No Nordeste, teria também adquirido a fama de “erveiro”, um sábio curandeiro capaz de descobrir e receitar chás medicinais, bem como de arrefecer com o emprego de folhas poderosas e da benzedura com tabaco, os males provocados por feitiçaria.

A questão do seu aparecimento no Rio de Janeiro não foi nunca esclarecida de forma convincente. Teria o Zé, a pessoa física, que, segundo algumas fontes, atendia pelos nomes José dos Anjos e José Gomes, realmente migrado para esse estado na década de 1920?

Alguns autores afirmam categoricamente que não, e juram que ele foi enterrado no famoso cemitério dos catimbozeiros em Pernambuco. Outros, porém, respaldados pelo relato de muitos pontos cantados em uso nos terreiros de Umbanda atualmente, evocam passagens de sua saga, ainda em vida, elas ruas do Rio de Janeiro boêmio do começo do século XX.

Nenhuma prova concreta sustenta essas versões, que nem por isso deixam de ser verdadeiras, já que professadas por muitos, compondo uma historia múltipla de um mito.

O fato é que a figura mística de Zé Pilintra, gerada a principio nos Catimbós do Nordeste, adquire imensa popularidade no Rio de Janeiro.

O mais antigo registro de Zé Pilintra no Catimbó foi feito pela expedição MPF no Catimbó de Mestre Lourentino da Silva, em Itabaiana, no Estado da Paraíba, no dia 5 de maio de 1938.

Mas o tempo passou e, segundo relatos de seus devotos, seu Zé Pilintra tornou-se um famoso malandro da zona boêmia do Rio de Janeiro nas primeiras três décadas do século XX, período de desenvolvimento urbano e industrial que transformou profundamente a vida das populações afro-descendentes.

A diáspora afro-baiana, acompanhando o fluxo migratório em direção ao Rio, expandiu-se a partir da Gamboa e da zona portuária da cidade. As primeiras favelas proliferaram, empurrando para os morros os migrantes dos antigos cortiços derrubados para a Reforma Passos. As primeiras escolas de samba foram criadas, transformando o carnaval carioca em uma festa afro-brasileira.

Nesse contexto, Zé poderia ser qualquer habitante do morro, como os numerosos sertanejos que vieram para a capital de República em busca de melhores oportunidades. Como muitos deles, teria conseguido criar a fama, por sua coragem e ousadia, obtendo ampla aceitação na pequena África do Rio, bem como nos bairros do Estácio e da Lapa, ou mesmo na então aristocrática comunidade de Santa Teresa, onde teria tido final trágico.

Contam alguns que seu Zé era um grande jogador, amante da vida noturna, amigo das prostitutas, exímio capoeirista, sambista de rara inspiração, um verdadeiro bamba.

Em relação à morte de Zé Pilintra, os autores discordam sobre a autoria do crime. Teria ele sido assassinado por uma mulher, antigo desafeto, ou por outro malandro igualmente perigoso? Em ambos os casos, afirma-se, ele fora atacado pelas costas, uma vez que, pela frente, o homem era mesmo imbatível.


Zé Pelintra – 3ª versão:

Segundo Pai José da Bahia

Zé Pilintra Valentão

Qualquer um que se aventure a traçar a trajetória de um mito, certamente descobrirá que em torno dele existe um sem números de histórias, muitas delas inverossímeis, entretanto, impossíveis de refutação. O mito sempre se confunde com a realidade e, deste modo, ninguém pode contrariar a fé dos crentes,  sob pena de alienar-se do mundo vibrante e mágico que envolve as crenças populares.

Sobre o Zé Pilintra, existem várias histórias contadas de boca em boca, tão cheias de ousadia e mistério quanto as de outros mitos nordestinos tais como o cangaceiro Lampião e sua parceira Maria Bonita; o bandido Cabeleira; o cangaceiro Corisco e tantos outros.
                
Todos que conhecem ou ouviram falar de Zé Pilintra concordam ao menos em um ponto: ele era um pernambucano “cabra-da-peste” que não levava desaforo pra casa, freqüentava os cabarés da cidade de Recife, defendia as prostitutas,  gostava de música, fumava cigarros de boa qualidade e apreciava a bebida.
                
Contam que nasceu no povoado de Bodocó, sertão pernambucano próximo a cidadezinha que leva o nome de Exu, à qual segundo o próprio Zé Pilintra quando se manifestava numa mesa de catimbó, foi batizada com este nome em homenagem, já que sua família era daquela região antes mesmo de se tornar cidade.
                
Fugindo da terrível seca de meados do século passado, a família de José dos Santos rumou para a Capital Recife em busca de uma vida melhor, mas o destino lhe roubou a mãe, antes mesmo que o menino completasse 3 anos e, logo a seguir se pai morreu de tuberculose . José dos Anjos ficou órfão e teve que enfrentar o mundo juntamente com seus quatro irmão menores. Cresceu no meio da malandragem, dormindo no cais do porto e sendo menino de recados de prostitutas. Sua estatura alta e forte granjeou-lhe respeito no meio da malandragem. Não apartava nunca de uma peixeira de seis polegadas de aço puro que ganhara de um marinheiro inglês com o qual fizera amizade.
                
Conta-se que, certa vez, Zezinho, como também era conhecido, teve que enfrentar  cinco policiais numa briga no cabaré da Jovelina, no bairro de Casa Amarela.
                
Um dos soldados recebeu um corte de peixeira no rosto que decepou-lhe o nariz e parte da boca. Doze tiros foram disparados contra Zezinho, mas nenhum deles o atingiu. Diziam que ele tinha o corpo fechado.
                
Naquele mesmo evento, Zezinho conseguiu desvencilhar-se dos soldados, ferindo-os gravemente, um dos quais veio a falecer dias depois. Antes que chegassem reforços, Zezinho já tinha fugido ileso, indo se esconder na casa do coronel Laranjeira, um poderoso usineiro pernambucano, protetor do rapazote. Contava ele, naquela ocasião com 19 anos de idade e por este fato passou a se chamar Zé Pilintra Valentão. Este apelido foi dado pelos próprios soldados da polícia pernambucana. Pelintra significa pilantra, malandro, janota etc.
                
Tempos depois de sair do esconderijo, Zezinho agora apelidado de Zé Pelintra Valentão, passou a fazer fama na cidade de Recife. Embora fosse querido por todos que o conheciam, não perdia uma briga e sempre saía vitorioso.
                
Gigolô inveterado, tinha mais de vinte amantes espalhadas pela cidade, das quais obtinha dinheiro para sua vida boêmia. Sempre vestido em impecáveis ternos de linho branco, camisas de cambraia adornadas por uma gravata de seda vermelha e um lenço branco na algibeira do paletó; na cabeça um chapéu panamá e os sapatos de duas cores compunham-lhe o tipo. Não raro poder-se-ia encontrá-lo sobraçando um violão pequenino, indo ou vindo das serestas, dos cabarés e botequins que freqüentava. Nunca lhe faltava dinheiro no bolso, nem amigos para mais um trago.
                
Aos domingos, todos podiam ver Zé Pelintra Valentão entrando na Igreja Nossa Senhora do Carmo, no centro de Recife, para fazer suas orações. Dizia-se também devoto de Santo Antônio, lá estava o Zé Pelintra Valentão, impecável com seu terno de casimira, pronto para a procissão pela Avenida Conde da Boa Vista.
                
A morte de Zé Pelintra Valentão ocorreu misteriosamente. Conta-se que aos 41 anos, ainda muito moço, Zé amanheceu morto, sem nenhum vestígio de ferimento externo. Soube-se, entretanto, que Zulmira, uma das suas amantes, tinha feito um “trabalho” para ele. Tinha um filho, que Zé Pelintra recusava registrar como dele. Zulmira tinha um ciúme doentio de Zé Pelintra, e por causa dela ele já estivera envolvido em muitas brigas e confusões. Ela queria Zé Pelintra só pra si. Assim, contam que lhe dera um prazo de sete semanas para que ele deixasse as outras amantes e fosse para a sua casa no bairro de Tamarineira. Zé Pelintra não foi e acabou sendo envenenado. Zulmira, depois da morte dele, sumiu de Recife e nunca mais se soube dela nem do filho.


Zé Pelintra – 4ª versão:

Quem foi Zé Pilintra

Falemos do grande Zé Pilintra....
   
Antes de começar a discorrer sobre o que se conhece desse malandro incorrigível, mulherengo, birrento, arruaceiro, mas de um coração enorme, é preciso que se entenda que toda entidade, tem uma história, uma cultura, pois foi tão humano quanto nos quando encarnada, após o desencarne e a conseqüente espiritualização, poderá ocorrer que sua manifestação venha a se dar em outros centros regionais, diferentes do que consta em sua biografia humana e assim quando manifestada, poderá demonstrar outras culturas, que não as de sua procedência humana. Isso quer dizer que a mesma entidade poderá manifestar-se diferentemente em lugares diferentes, sem que isso implique em mistificação. Tal fato acontece porque, pela necessidade do ingresso nas falanges espirituais, afim de prestar seu trabalho nesta nova roupagem, os espíritos, agora desencarnados, aproximam-se desta ou daquela falange, por simpatia ou determinação superior, mas guardam características bastante marcantes de suas existências materiais. Melhor entendendo:

    Zé Pelintra, tem como característica principal, a malandragem, o amor pela noite. Tem uma grande atração pelas mulheres, principalmente pelas prostitutas, mulheres da noite, além de outras características que marcam a figura do malandro. Isso quer dizer que em vários lugares de culturas e características regionais completamente diferentes, sempre haverá um malandro. O malandro de Pernambuco, dança côco, xaxado, passa a noite inteira no forró; No Rio de Janeiro ele vive na Lapa, gosta de samba e passa suas noites na gafieira. Atitudes regionais bem diferentes, mas que marcam exatamente a figura do malandro. Isso bem explicado, vamos conhecer mais de perto esse grande camarada.

Conheçam essa maravilhosa entidade: 

“SEU ZÉ”

José Gomes da Silva, nascido no interior de Pernambuco, era um negro forte e ágil, grande jogador e bebedor, mulherengo e brigão. Manejava uma faca como ninguém, e enfrentá-lo numa briga era o mesmo que assinar o atestado de óbito. Os policiais já sabiam do perigo que ele representava. Dificilmente encaravam-no sozinhos, sempre em grupo e mesmo assim não tinham a certeza de não saírem bastante prejudicados das pendengas em que se envolviam.

Não era mal de coração, muito pelo contrário, era bom, principalmente com as mulheres, as quais tratava como rainhas.

Sua vida era a noite, sua alegria as cartas, os dadinhos a bebida, a farra, as mulheres e por que não, as brigas. Jogava para ganhar, mas não gostava de enganar os incautos, estes sempre dispensava, mandava-os embora, mesmo que precisasse dar uns cascudos neles. Mas ao contrário, aos falsos espertos, os que se achavam mais capazes no manuseio das cartas e dos dados, a estes enganava o quanto podia e os considerava os verdadeiros otários. Incentivava-os ao jogo, perdendo de propósito quando as apostas ainda eram baixas e os limpando completamente ao final das partidas. Isso bebendo Aguardente, Cerveja, Vermouth, e outros alcoólicos que aparecessem.

Esta entidade andou pelo mundo, suas manifestações apresentam-se em todos os cantos da terra. A pouco teve-se notícia pelos diários, de uma médium que o incorporava nos Estados Unidos.

No Rio de Janeiro aproximou-se do arquétipo do antigo malandro da Lapa, contado em histórias, músicas e peças de teatro. Alguns quando se manifestam se vestem a caráter. Terno e gravata brancos. Mas a maioria, gosta mesmo é de roupas leves, camisas de seda, e justificam o gosto lembrando que a seda, a navalha não corta. Bebem de tudo, da Cachaça ao Whisky, fumam na maioria das vezes cigarros, mas utilizam também o charuto. São cordiais, alegres, dançam a maior parte do tempo quando se apresentam, usam chapéus ao estilo Panamá.

E existem muitas outras versões, tornando-se difícil um reconhecimento oficial sobre essa entidade espiritual.

Conclusões:

Veja bem o quanto se torna difícil ter uma certeza de quem realmente foi, onde viveu, como viveu e onde desencarnou o Senhor Zé Pilintra. Mas não vamos nos ater em histórias, muitas vezes contadas com romantismos, mas quase sempre enaltecendo a malandragem e os feitos desonestos e violentos.


Vamos analisar o que realmente seria um espírito de luz, sob a visão da ciência espiritual, a fim de conhecermos a atuação verdadeira de um Guia Espiritual, a fim de dirimirmos nossas dúvidas sobre a presença verdadeira do Senhor Zé Pelintra incorporado, e se é aceitável a presença de “espíritos de malandros” atuando dentro de uma casa de oração umbandista. Com isso teremos uma noção do que estamos incorporando e mesmo os espíritos que temos ao nosso lado. Lembre-se que semelhantes atraem semelhantes.

“Não creiais a todo espírito, mas primeiro provai se ele é vindo de Deus” Allan Kardec.

QUAL A MINHA RELIGIÃO??? SOU UMBANDISTA!!!!



Muitas pessoas confundem tudo onde acontece a incorporação como sendo Umbanda. Existe muito terreiro de pura feitiçaria comandado pelo baixo astral; lugares onde se cobra pelo trabalho realizado; casas onde são feitas amarrações, demandas e magias negativas; locais que prometem milagres e comercializam a fé alheia … e para tudo isso é usado o nome da Umbanda! Por esse motivo o povo umbandista é descriminado, ironizado e ridicularizado. Somos julgados e analisados a todo momento pois as pessoas nos olham com medo, insegurança e desconfiança já imaginando “o perigo” que será a convivência com um umbandista. Tais fatos nos levam, muitas vezes, a negar a Umbanda, afinal, ser “espírita” ou católico é mais fácil e não causa tantos arrepios. Médiuns com grande capacidade espiritual costumam fugir dos centros umbandistas ou quando assumem sua religiosidade dentro da Umbanda enfrentam o medo do novo, a contrariedade da família e ainda precisam estar todo tempo atentos aos ataques do baixo astral que não quer, entre outros motivos, a evolução espiritual do médium. Precisamos mudar essa imagem negativa da Umbanda e para isso temos todos que ter sempre em mente que a Umbanda é uma religião que prega as mesmas verdades e busca a mesma paz de espírito que todas as outras religiões. Umbanda é reforma íntima, respeito, dedicação, disciplina e superação. Umbanda é pureza, simplicidade, força, é a conscientização sobre o Bem e o Mal. Umbanda não é milagre, mas merecimento. É estudo e consciência e não comodismo ou achismo. É respeito à natureza, pois Umbanda é natureza. Umbanda é fé, amor, conhecimento, justiça, lei, evolução, geração e a prática da caridade em todas as formas. É a conscientização de que cada pessoa é responsável por suas atitudes, que o ato cometido sempre gera uma reação resultando em um Bem ou um Mal tanto para quem pratica como para quem recebe. Umbanda é a consciência de que o sentido da vida é a busca da perfeição espihttp://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5386510756590811161ritual e material e de que o melhor caminho para alcançarmos essa perfeição é a prática de boas atitudes ao próximo. Ser umbandista é para poucos, é para os fortes e determinados! Eu me orgulho de ser umbandista e bato no peito com toda a convicção, amor e respeito pois sou filha de Orixá e Eles estão em mim assim como eu estou Neles. Axé a todos os umbandistas que assumem, amam e respeitam nossa bela religião e os Sagrados Orixás!

sábado, 4 de dezembro de 2010

SARAVÁ IANSÃ!

4 de Dezembro. Data consagrada à grande guerreira, senhora das tempestades. Ponho meus joelhos em terra para pedir proteção ao mundo!

PRECE A IANSÃ

Saravá Iansã a grande guerreira, Orixá do raio e do vento, que ajuda com sua energia vencer as lutas e as dificuldades.

Saravá Senhora Rainha dos ventos proteja todos nós.


Oyá Deusa do rio Niger, senhora dos ventos e das tempestades. Coloco em tuas mãos minhas ações na luz de tua luz, eu te consagro todos os minutos e horas desse dia, meus trabalhos, minhas preocupações, meus desejos, os meus lazeres são teus.


Daí - me hoje a tua luz poderosa para que eu compreenda todo bem que preciso fazer e tenha força para não ceder o mal que tenta bater em minha porta, que eu consiga ser mais fraterno, mais irmão, mais compreensivo e capaz de perdoar.


Dirija meus passos no caminho do bem e do amor, e hoje mais que ontem todos nós possamos contar com sua orientação, com a tua benção, com o teu amor.


Com tua espada haveremos de cortar as demandas dos invejosos, dos falsos, dos inimigos, dos olhos grandes, que necessitam de enxergar a verdade.


Dando conformação aqueles que sofrem, com a força dos teus raios, nós te pedimos, que acenda a chama da vida dos que estão desenganados, de a eles força para continuar lutando na cura de seus males.


Saravá Iansã majestosa Senhora a vossa proteção em vosso louvor em brado unidos saudamos.


EPARREI OYÀ!

Iansã, a mulher búfalo

Ogum tinha o hábito de caçar na floresta, todos os dias. Certa manhã quando andava pela mata, um búfalo atravessou seu caminho rápido como um relâmpago; percebendo que era um animal diferente daqueles que conhecia, passou a segui-lo. O búfalo parou em cima de um grande formigueiro, baixou a cabeça e despiu sua pele, transformando-se numa linda mulher.


Era Iansã, coberta por belos panos coloridos e braceletes de cobre, fez da pele uma trouxa, colocou os chifres dentro, escondeu-a no formigueiro e partiu em direção ao mercado, sem perceber que alguém tinha assistido sua transformação. Assim que ela se foi, Ogum se apoderou da trouxa, levou para casa e a escondeu em seu celeiro. Depois foi a cidade, e passou a seguir a mulher até que criou coragem e começou a cortejá-la, sem obter resultado.

Ao anoitecer ela voltou à floresta e, para sua surpresa e desespero, não encontrou a trouxa. Retornou à cidade e encontrou Ogum, que lhe disse estar de posse daquilo que procurava. Para resguardar seu segredo, Iansã foi obrigada a se casar com ele. Apesar da raiva por ter que ceder a uma chantagem, conseguiu estabelecer certas regras de conduta, dentre as quais, proibi-lo de comentar o assunto com qualquer pessoa.

Chegando a casa Ogum explicou à suas outras esposas que a nova mulher iria morar com ele e que, em hipótese alguma, deveriam insultá-la. Tudo corria bem, mas enquanto Ogum saía para trabalhar, Iansã passava o dia procurando sua trouxa.

Dessa união nasceram nove filhos, o que despertou ciúmes das outras esposas, que eram estéreis. Uma delas, conseguiu embriagar Ogum e ele acabou relatando o mistério que envolvia Iansã. Logo que o marido se ausentou, elas se juntaram e, entre palmas e risos, começaram a cantar: "Você pode beber, comer e exibir sua beleza, mas a sua pele está no depósito, você é um animal nojento!". Ao ouvir a cantiga Iansã ficou transtornada de ódio e imediatamente foi ao celeiro onde encontrou sua pele e seus chifres. Assumiu a forma de búfalo e avançou para cima de todos numa fúria cega, poupando apenas seus filhos.

Nesse dia decidiu voltar para a floresta, mas não permitiu que os filhos a acompanhassem. Deixou com eles seus chifres e orientou-os para que, em caso de perigo, batessem os chifres um contra o outro; obedecendo a esse chamado ela viria de onde estivesse para socorrê-los imediatamente. É por esse motivo que os chifres estão presentes nos assentamentos de Iansã em todos os candomblés.

Eparrêi Oyá!

Características dos filhos de Iansã

O filho de Iansã chama a atenção por ser do tipo inquieto e extrovertido. Não admite ser contrariado, pouco importando se tem ou não razão, pois não gosta de dialogar. Prefere sempre impor sua vontade. Mostra-se quase sempre alegre e decidido, mas quando . questionado de forma inadequada pode tornar-se violento, partindo para a agressão, com berros, gritos e choro.

Odeia todo tipo de preconceito e passa por cima de qualquer um para defender a bandeira que estiver sendo ofendida. Muito verdadeiro e transparente não consegue disfarçar seus sentimentos, sejam eles de alegria ou tristeza. Enfrenta qualquer situação de maneira despojada e decidida. É leal e objetivo. A garra talvez seja sua maior qualidade, mas seu grande defeito é a franqueza dita sem qualquer cuidado, o que quase sempre o torna inconveniente no convívio social.

É muito competitivo, agressivo e sujeito a enormes ataques de cólera. Não teme tomar atitudes que possam mudar sua vida radicalmente por um sonho, aventura ou ideal.

As vezes torna-se maquiavélico e trama grandes vinganças, no entanto não consegue agir por muito tempo nos bastidores, logo sua tendência à guerra o faz mostrar-se por inteiro ao inimigo, já que prefere a luta cara a cara.

A vida sentimental de um filho de Oiá é marcada por súbitas e enormes paixões que assim como começam de forma intempestiva, terminam de forma abrupta sem deixar resquícios de mágoa ou tristeza.

Gosta do sexo, mas não faz dele sua razão de vida. Procura o relacionamento duradouro, mas não se intimida se tiver que abandonar tudo que construiu ao lado de alguém que ousou trair sua confiança e partir para novas descobertas.

É incapaz de perdoar uma traição e o ciúme é a pedra fundamental de seus relacionamentos. Pode ser facilmente reconhecido pelo temperamento forte e arrasador como os ventos de sua mãe.   

Eparrei Oyá!

Lenda de Ibeji

Xangô e Iansã tiveram filhos gêmeos, os Ibejis. As crianças eram lindas e cresciam fortes para alegria e orgulho de seus pais. Houve, porém, na cidade em que viviam, uma peste avassaladora que infectava e matava crianças em poucas horas.


Para desespero de Iansã, um dos gêmeos foi vitima da doença e morreu sem que ninguém pudesse fazer nada para salvá-lo.

Iansã, a partir desse dia, entrou em profunda depressão, a vida já não apresentava motivos para seguir adiante. Soprou o vento que sempre trazia, para longe e já não comandava as grandes tempestades que passaram a destruir de forma implacável todas as terras. Em um de seus desvarios, arrumou um boneco de madeira e vestindo-o de maneira esmerada, colocou-o num lugar de honra em sua casa. Era o canto sagrado que ninguém podia transpor apenas ela podia ali entrar acompanhada de sua mágoa e dor.

Todos os dias entregava um pequeno presente aos pés do boneco e chorava copiosamente enquanto conversava como se fosse seu pequeno filho. Olorum, ao ver tamanha tristeza, teve tanto dó da mãe sofredora, que uma lágrima pura e límpida caiu de seus olhos exatamente sobre a cabeça do boneco. A pequena gota mágica fez o menino reviver e Iansã teve seu filho de volta.

Ainda hoje os Ibejis com sua alegria infantil. correm pelos jardins do Orum, sempre observados com doçura pelo amoroso olhar materno da grande guerreira. 

Iansã salva Xangô

Certa ocasião Xangô foi convidado para uma grande festa em sua homenagem que se daria num reino bem distante do seu. Muito comovido e alegre por tal acontecimento, preparou-se para a longa viagem.


Ao se despedir de Iansã, sua esposa, deixou-lhe uma cabaça mágica, recomendando que ela sempre a olhasse, pois se algo acontecesse com ele a cabaça mostraria.

A festa era na verdade um grande engodo preparado pelos seus inimigos para fazê-lo cair numa mortal armadilha. Totalmente despreparado para uma luta, já que fora convidado para uma homenagem, Xangô foi derrotado e lançado à prisão por seus adversários.

Após vários dias de sua partida a esposa resolve olhar para a cabaça e toma um susto. Na água límpida vê seu marido atrás das grades. Na prisão, Xangô sente que a mulher descobriu tudo e imediatamente eleva o pensamento à Olorum e, pedindo sua ajuda, provoca uma grande trovoada para que ela o encontre. Iansã ao escutar o intenso barulho riscou um circulo mágico e citando os encantamentos que só ela conhecia ergueu as mãos para o céu e chamou todos os ventos e raios dos quais era dona. Nesse momento, na cadeia, um raio poderoso arrebenta o cadeado da cela e Xangô corre para a liberdade.

Chegando à rua e olhando para o céu, vê sua mulher chegando no meio de um enorme tufão. Ela, com carinho, o puxa pela mão, fazendo-o montar no vento e o leva em segurança para o palácio real. Desse modo, Iansã, com seus poderes de guardiã das tempestades, salvou Xangô que se tornou eternamente agradecido à mulher que ama. A partir desse dia, nunca mais se separaram. Não há tempestades sem raios, ventos e trovões. O belo casal permanece unido!

Iemanjá é salva por Iansã


Exu foi chamado ao reino de Olokun, senhor dos mares, para um trabalho que somente ele poderia realizar. Ao chegar à sala do trono ficou encantado ao conhecer Iemanjá, a filha do rei, que andava pelo salão a procura de uma jóia que tinha perdido. A beleza da moça era indescritível e Exu sentiu o ardor da paixão queimar-lhe o peito. Saiu determinado a cumprir a missão e voltar o quanto antes para pedir a mão da princesa. Nunca ele fora tão rápido no cumprimento de uma tarefa quanto naquela. Em dois dias estava de volta apresentando as provas do sucesso da empreitada. Olokun ficou contentíssimo e ofereceu ao rapaz grandes riquezas, mas este foi inflexível. A ele somente interessava casar-se com Iemanjá. O monarca ficou extremamente irritado com tamanha audácia e mandou que o colocassem para fora de seus domínios. Exu jurou vingança. Nunca ninguém o tinha tratado daquela forma e não engoliria a desfeita tão facilmente. Durante semanas nada mais fez a não ser arquitetar um plano para raptar a princesa. Certa manhã, Iemanjá com um imenso séquito, passeava pelas areias da praia, quando um imenso buraco se abriu a seus pés e a tragou para seu interior. Foi tudo tão rápido que ninguém pode fazer nada. A fenda se fechou como se ali nada jamais houvesse acontecido. Os escravos desesperaram-se, como contar ao rei o sucedido? Certamente seriam mortos sem piedade. Não havia quem não conhecesse a fúria real. Pensando dessa forma todos fugiram e nunca mais apareceram para testemunhar o ocorrido. Enquanto isso nas profundezas da terra Exu desvelava-se em carinho e atenção para ganhar o amor de Iemanjá. Desesperado com o sumiço da filha o velho rei foi procurar um Babalaô que he contou exatamente o que tinha acontecido e o aconselhou a procurar por Iansã, jovem guerreira que nada temia e por sua rara beleza poderia granjear a simpatia de Exu. Iansã foi chamada e prontificou-se a buscar a jovem. Providenciou uma oferenda a Ifá, pedindo proteção e força e partiu para o resgate. Depois de muito andar sentiu sob os pés a quentura que denunciava a presença do seqüestrador. Brandiu sua espada no ar, chamando os raios de seu domínio, e enfiou-a na terra com toda a força. Uma cratera se formou e a guerreira foi descendo lentamente. Logo avistou a bela moça sentada a um canto chorando copiosamente, a seu lado Exu afagava-lhe os longos cabelos fazendo juras de amor eterno.
- Vim buscar a princesa! - Seu tom de voz não deixava dúvidas, viera disposta a tudo.
- Como ousa invadir meu reino e ainda por cima ditar-me ordens? - Exu gritava descontrolado - Minha princesa daqui não sai! - Apontou para os pés de Iansã e um circulo de fogo se formou em torno dela impedindo seu avanço.
- Não discutirei com você, peço a intercessão de Orunmilá, para cumprir a missão para a qual fui incumbida!
Raios começaram a se espalhar por todo o espaço, uma ventania muito forte envolveu o corpo de Iansã, que assim chegou perto da moça que a tudo assistia perplexa. O homem foi jogado contra uma parede atingido pela violência do vento. Um redemoinho as envolveu transportando-as para o reino de Olokun. O mar se abriu dando passagem para o pequeno tufão cavalgado por Iansã. Dos olhos do rei correram lágrimas de alegria e gratidão quando avistou em meio ao tormento o rosto da querida filha. Iemanjá e Iansã tornaram-se amigas pela eternidade. Exu ainda está no interior da terra, algumas vezes chora por uma e pragueja contra a outra. Hoje muitos terreiros cantam que em pleno mar havia duas ventarolas. É a essa história que se referem! 

4 de dezembro - Dia de Iansã


Oração a Iansã


Iansã, mãe e senhora dos ventos e tempestades, das horas aflitas e das almas perdidas.Dona de todas as direções. Operosa divindade em prol dos desígnios dos filhos de caídos sem norte e vontade.Piedade para nós, criaturas que vivemos, à beira das tentações, dos abismos, alheios ao amor do pai Olorum.Mãe, empresta-nos tua decisão e tua coragem, para o encontro do nosso próprio ser.Daí-nos um roteiro de esperança e triunfo. Erradicai a pobreza dos nossos sentimentos, orienta-nos para a verdade, dentro do caminho de devoção ao supremo doador. Encoraja-nos senhora dos raios, para que nossa própria mente, siga uma só direção: amar a Olorum. 
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